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sábado, 5 de maio de 2012

Narrativa: As times goes by ( Casablanca)


As Time Goes By 

Olá pessoal:
A nossa redação dessa semana foi desenvolvida a partir de uma proposta trazida pelo nosso livro didático da rede salesiana de ensino.

Leia a sinopse do filme “Casablanca”:
Em plena Segunda Guerra Mundial, enquanto cidades são invadidas pelos alemães, duas pessoas conseguem viver um romance intenso e inesquecível em Paris. O que torna a história mais interessante é exatamente a impossibilidade deste amor continuar. O roteiro e os diálogos do filme dirigido por Michael Curtiz, em 1942, são perfeitos nesse sentido. llsa, interpretada pela bela atriz sueca lngrid Bergman, apaixona-se por Rick, o charmoso galã Humphrey Bogart, mas, em vez de fugir com ele de Paris, manda-lhe um bilhete de despedida na estação de trem. Ele parte sem entender o que havia acontecido. Tudo isso é contado em flashback. Anos depois já em Casablanca, na Marrocos francesa, ela aparece com seu marido, o herói Victor Laszlo, interpretado pelo ator Paul Henreid, justamente no Rick's Bar, do qual o personagem de Bogart é dono. Eles estão à procura de um meio de fugir para a América. O sofrimento de Rick ao vê-la é inevitável e ela fica novamente dividida entre seus dois amores. O final é realmente surpreendente. Mas o sucesso do filme, que até hoje continua ganhando muitos fãs de todas gerações, explica-se pela fórmula bem dosada de romance, humor, intriga e suspense.
Após a leitura da sinopse, veja a continuação criativa da história dada pelo grande escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo.
As Time Goes By
Luís Fernando Veríssimo

Conheci Rick Blaine em Paris, não faz muito. Ele tem uma espelunca perto da Madeleine que pega todos os americanos bêbados que o Harry’s Bar expulsa. Está com 70 anos, mas não parece ter mais que 69. Os olhos empapuçados são os mesmos mas o cabelo se foi e a barriga só parou de crescer porque não havia mais lugar atrás do balcão. A princípio ele negou que fosse Rick.
- Não conheço nenhum Rick.
- Está lá fora. Um letreiro enorme. Rick’s Café Americain.
- Está? Faz anos que não vou lá fora. O que você quer?
- Um bourbon. E alguma coisa para comer.
Escolhi um sanduíche de uma longa lista e Rick gritou o pedido para um negrão na cozinha. Reconheci o negrão. Era o pianista do café do Rick em Casablanca. Perguntei por que ele não tocava mais piano.
- Sam? Porque só sabia uma música. A clientela não agüentava mais. Ele também faz sempre o mesmo sanduíche. Mas ninguém vem aqui pela comida.
Cantarolei um trecho de As Time Goes By. Perguntei:
- O que você faria se ela entrasse por aquela porta agora?
- Diria: “Um chazinho, vovó?” O passado não volta.
- Voltou uma vez. De todos os bares do mundo, ela tinha que escolher logo o seu, em Casablanca, para entrar.
- Não volta mais.
Mas ele olhou, rápido, quando a porta se abriu de repente. Era um americano que vinha pedir-lhe dinheiro para voltar aos Estados Unidos. Estava fugindo de Mitterrand. Rick o ignorou. Perguntou o que eu queria além do bourbon e do sanduíche do Sam, que estava péssimo.
- Sempre quis saber o que aconteceu depois que ela embarcou naquele avião com Victor Laszlo e você e o inspetor Louis se afastaram, desaparecendo no nevoeiro.
- Passei quarenta anos no nevoeiro - respondeu ele.
Objetivamente, não estava disposto a contar muita coisa.
- Eu tenho uma tese.
Ele sorriu.
- Mais uma...
- Você foi o primeiro a se desencantar com as grandes causas. Você era o seu próprio território neutro. Victor Laszlo era o cara engajado. Deve ter morrido cedo e levado alguns outros idealistas como ele, pensando que estavam salvando o mundo para a democracia e os bons sentimentos. Você nunca teve ilusões sobre a humanidade. Era um cínico. Mas também era um romântico. Podia ter-se livrado de Laszlo aos olhos dela. Por quê?
- Você se lembra do rosto dela naquele instante?
Eu me lembrava. Mesmo através do nevoeiro, eu me lembrava. Ele tinha razão. Por um rosto daqueles a gente sacrifica até a falta de ideais. A porta se abriu de novo e nós dois olhamos rápido. Mas era apenas outro bêbado.

Agora o escritor é você! Faça uma narrativa, a partir da sinopse lida e da crônica de Luís Fernando Veríssimo, contando o que aconteceu com o casal Ilsa e Victor Laszlo após chegarem a América.


Segue a redação da aluna Beatriz C. Jakubowski dos Santos do 9ºA.

Meu Erro
Era uma fria manhã de Outono aqui, no Canadá. Uma daquelas manhãs que minha mãe adoraria, ela faria chocolate quente para mim, me deixaria usar seu casaco de veludo e nós iríamos, juntas, fazer um bolo de chocolate.
Após me arrumar e resolver alguns assuntos pendentes no centro da cidade, eu fui ao cemitério visitar o túmulo dela. Levei um buquê de petúnias, suas favoritas. Sentei-me próxima ao antigo buquê, também de petúnias. Ao lado de sua foto havia uma placa em bronze onde se lia Ilsa Laszlo – 1935-1990.
Quando viva, mamãe contava-me histórias sobre um antigo marido – Rick Blaine – e um antigo noivo – Victor. Se não me engano, ela era casada com Rick, mas eles se separaram durante a Segunda Guerra Mundial e, por isso, ela achou que ele havia morrido. Então mamãe passou algum tempo em Marrocos, onde conheceu Victor.
Esse tal de Victor é meu pai. Eu o odeio. Papai só viveu conosco até eu completar dez anos; hoje tenho 25, mas lembro de muitas coisas que ele fazia. Até meus cinco anos era um pai normal, mas então ele começou a beber e, em 1990, mais especificamente, em 18 de março de 1990, quando eu voltei da escola, vi que papai estava bêbado (de novo) e brigando com minha mãe, porque ela tinha recebido uma carta de Rick. Até aí, nenhuma novidade. Mas daquela vez ele sacou um revólver e atirou nela. Morte na hora.
Eu fugi para a casa da minha tia e a última vez que vi aquele homem foi no tribunal. Como eu era a única testemunha ocular, ele me ameaçou e então eu disse para o juiz: “Não foi o papai. Ele é bonzinho e estava tentando convencer a mamãe a não se matar. Acho que ela não gostava de mim porque, assim que me viu, ela atirou em si mesma”. Também chorei. O júri acreditou em mim e declarou que Victor era inocente.
Esse foi o meu maior erro. O maior erro de toda a minha vida.

7 comentários:

  1. Luis Felipe Neves8 de maio de 2012 10:27

    este texto está sem duvidas muito bom esta menina poderia ser escritora tem uma boa noção gramatical

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  2. Na minha opinião esse texto esta muito bom, muito bem elaborado e com todas as caracteristísticas de uma narrativa, mas so acho que o texto acabou muito rapido, muito de repente, porem esta muito bom.

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  3. Parabéns, Bia! É um ótimo texto! Bem elaborado e com um conteúdo completo!

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  4. Muito bom,criativo,porém concordo com o Mateus,acabou de repente,logo depois do pico da história,no clímax

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  5. Bia, o seu texto está muito bem elaborado. O fato de ter acabado repentinamente, dando um ar de mistério, é o que deixa a redação gostosa de ler.

    Gabriela Chehab e Caroline Martins do 9°D

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  6. julia gil e gabriela valente14 de junho de 2012 06:01

    parabéns bia. ficou muito bom. você tem talento. um texto muito elaborado ;)

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  7. Achei muito interessante esse texto, bem elaborado e tem os termos gramaticais corretos , achei também que pelo fato da redação ser pequena , nos deixa curiosos para chegar ao final , muito bom!

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